sexta-feira, 29 de março de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Porto de Vacas
Porto
de Vacas, 09 de Fevereiro de 2013
A
organização chamava assim:
Comemore o Carnaval de forma diferente percorrendo o Caminho do Xisto de
Porto de Vacas, um dos seis da rede de Percursos Pedestres do concelho de
Pampilhosa da Serra.
Porto
de Vacas é a terra natal do Manel Bento. No ano passado teve artes para nos
levar a participar na caminhada que a comissão de melhoramentos de Porto de
Vacas e parceiros organizaram. Não, a nossa participação não teve nada a ver
com o facto de a inscrição, reforço e almoço carecerem de qualquer
comparticipação da nossa parte, assumindo a autarquia os custos da operação.
É
preciso entender e enquadrar a estratégia que está por detrás deste tipo de
iniciativas. Numa análise mais fina ela inscreve-se num paradigma que tem no
seu núcleo duro a teoria do intervencionismo compensatório. Em termos mais
claros, assenta na ideia de que nos territórios desfavorecidos, de baixa
densidade, se se preferir, a fragilidade da dinâmica “civil” tem de ser
compensada pela acção das autarquias, sob pena de se agravar o movimento de
abandono a que parecem estar votados. No caso, os resultados estão à vista: se
a autarquia não tivesse tomado a iniciativa de canalizar alguns dos seus
recursos, mobilizando igualmente a câmara municipal da Pampilhosa, os bombeiros
voluntários, o projecto aldeias de xisto, e a comissão de melhoramentos,
provavelmente, uma boa parte dos cerca de 300 participantes desconheceriam
agora que existe uma aldeia simpática, localizada num cenário natural fabuloso,
onde se produz um pão de azeite delicioso, um queijo que combina muito bem,
aguardentes gulosas de vários travos, tigelada da verdadeira, etc, etc. Nesta
perspectiva, poderemos aceitar, que a autarquia não deverá inscrever os custos
na rubrica das despesas mas na do investimento. Lá mais para a frente, o senhor
que veio de propósito de Lisboa, sózinho, vai querer voltar para descobrir o
resto, e trará com ele a família e alguns amigos.
No
que nos diz respeito, a nós, confrades, também contribuiu para a decisão de
participarmos na caminhada de 2012, a promessa de inaugurarmos um pipo na adega
do parteiro do Manel. Sim, que o Manel teve a ajuda do Ti Zé Alfaiate no
momento do parto. Confirmado pelo próprio, era ele adolescente imberbe de 15
anos, já fazia pela vida nos negócios do pai do Manel, quando a patroa entrou
em trabalhos de parto. À falta do INEM, alinhou o rapazinho. E o Manel lá saiu
para enfrentar o mundo. E por aí anda, pesadote.
Já
veteranos à conta da (boa) experiência do ano passado, voltámos a aceitar o
convite para a edição de 2013, sem ligarmos nada à novidade de que ia haver
prova de produtos locais, para além, claro, do almocinho, e lá comparecemos 17
confrades, prontos para ajudar no que fosse preciso.
À
descida para Janeiro de Cima, o Zêzere estava coberto por um comprido e sinuoso
manto de algodão branco que não deixava ver na sua plenitude o magnífico
cenário que enquadra a aldeia de Porto de Vacas. Levantaria ainda antes do
início da caminhada.
Sensivelmente
a meio, a organização preparou-nos uma pequena lição e demonstração pratica. Um
antigo resineiro esperava-nos no meio do pinhal numa curva do caminho que
descia ao vale de muro armado de utensílios vários apropriados à tarefa de extrair
resina dos pinheiros bravos. Com visível entusiasmo na sua função efémera de
professor ia explicando os trabalhos que ia realizando. Começou por remover uma
parte da casca na base do pinheiro, depois espetou uma peça de metal ligeiramente
aconcavada que servia para direcionar o fluxo da resina para o recipiente de
plástico que colocou imediatamente por baixo. Quando tudo já estava en su
sitio, pegou numa bisnaga com um líquido esbranquiçado e borrifou a ferida por
cima do metal, para, disse o resineiro, “puxar a resina”. Um brincalhão, se
calhar um enfermeiro, ainda perguntou se, puxar por puxar, não seria mais
prático espetar no pinheiro a agulha de uma seringa e, puxar a resina. Que não!
Tinha de ser daquela maneira. Discretamente, Xquim Branco explicitou a questão
do “puxar a resina”: o líquido é um ácido que atrasa a reacção do pinheiro para
sarar a ferida e permitir assim que a resina continue a escoar por ali. As
coisas que o Xquim sabe…
Bom,
ficámos também a saber que a resina servia essencialmente para a produção de
aguarrás que, por sua vez, era utilizada como solvente e na fabricação de
graxas e tintas, e de pez branco utilizado, atenção a esta informação já fruto
de pesquisa nossa, para calafetar barris de cerveja (aqui). A extração de resina dos pinheiros
já foi uma actividade com alguma pujança em Portugal. Já não é. Parece que o
petróleo também possui este tipo de átomos e é mais barato (!).
Os
últimos 3 km foram feitos na companhia do Zêzere que ali corre sereno, por via
do dique construído mais à frente. À chegada, entraram os bombos de Dornelas do
Zêzere, para abrir o apetite para o discurso do senhor Presidente da Junta que
reafirmou a satisfação de ali ter mais de 300 pessoas que fizeram uma caminhada
“com muito estilo” (sic), e, sem mais demoras foram todos os caminhantes
ordeiramente recolher o arroz de feijão e grelhado misto de porco. Estava tudo
muito bom.
O
Rancho Folclórico e Bombos de Dornelas do Zêzere ofereceram um concerto honesto
durante as duas horas seguintes. O que lhes sobra em honestidade falta-lhes em
autenticidade. Do ponto de vista do reportório, entenda-se. Mesmo para quem
pouco ou nada entende de folclore, soa-lhe estranho que o rancho de Dornelas do
Zêzere, concelho da Pampilhosa da Serra, cante e dance o vira do Minho e lhe chame
vira do Zêzere.
No
próximo ano, somos capazes de estar disponíveis para inaugurar outro pipo.
INSTANTÂNEOS - III
Ruta del Emperador Carlos V em Jarandilla de la Vera
Partimos às 5 e meia mesmo. A viagem teria decorrido sem
histórias se não tivéssemos perdido o xquim e restante tripulação, já nas horas
deles (deles, dos nuestros hermanos). Felizmente foi apenas um atraso para
compor as minis na geleira, por terem dado uma cambalhota nalguma curva mais
apertada. Claro que a tripulação aproveitou logo a paragem para regar as
estevas (planta com outros aproveitamentos por ali, como iremos ver mais à
frente).
E o xquim, apesar dalguns já o darem por perto de Madrid,
mais uma vez provou que com ou sem gps não é homem para se desorientar, muito.
Chegados a Jarandilla de la Vera, fomos recebidos com um
frio para secar fumeiros e curar presuntos instantaneamente, excepto os Lourenço
claro está. Era tanto o frio, que alguém mais distraído poderia pensar estar
nalguma região montanhosa afegã, tantas eram as burkas e turbantes que os
caminhantes exibiam.
Agora já sabe.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Banda Sonora para um Caminho II
O caminho interior é uma grande realização.
Precisa de uma banda sonora. Coisinhas que tenham a ver com...claro.
Começou com o poema do A Machado musicado pelo Juan Manuel Serrat.
Podemos prosseguir com a Loreena Mckennitt:
Mais propostas?
Precisa de uma banda sonora. Coisinhas que tenham a ver com...claro.
Começou com o poema do A Machado musicado pelo Juan Manuel Serrat.
Podemos prosseguir com a Loreena Mckennitt:
Mais propostas?
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
INSTANTÂNEOS - II
Ao longe, a personagem já aparentava algo incomum: magra,
muito magra, vestida de preto da cabeça (coberta com um lenço), até aos pés (enfiados
numas pantufas com visíveis sinais de muito uso). Puxado por um baraço,
arrastava atrás de si o chassis daquilo que em tempos terá sido um carrinho de bébé, sobre o qual foi colocado um cartão para servir de base. Qualquer criança tenderia a ver naquela figura a personagem
maléfica de uma história qualquer. E, se atentasse nos pormenores, fugiria a esconder-se
debaixo da cama: a mesma figura apresentava mãos esquálidas a deixar salientar todos os carpos e
metacarpos, unhas ligeiramente compridas e sujas; cabelo grisalho e desgrenhado, dentes em falta e nariz adunco
numa face que os anos e as agruras enrugaram em excesso; e os olhos… melhor, o
olho que não tinha, tapado por uma espécie de cicatriz por baixo da pestana.
Definitivamente, uma bruxa. Má, seguramente. A todo o momento sairiam faíscas
das suas mãos que transformariam qualquer criança num salta roscas, enquanto
soltava risadas histéricas por entre os dentes cariados. De que era preciso
fugir e ir rogar à avó que deitasse a pinga do azeite no prato com água e rezasse a
mézinha para contrariar o mau olhado.
Nós parámos. Saudámos:
- Bom dia.
Respondeu uma voz com sotaque cigano:
- Atão bons dias.
Da conversa de circunstância sobre o carrinho e o tempo e o frio que fazia, veio a confissão:
- Vou ali a róbér uns gravatitos para me aqueceri.
- Faz vomecê muito bem, qu’isto está é para ficarmos
quedinhos junto ao lume. Não faça como alguns parvos que andam por aí a
caminhar pelos caminhos velhos, de manhãzinha cedo e longe de casa.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Diário de caminhada: etapa III, Peroviseu - Belmonte
“Da nossa casa a Santiago de Compostela”,
etapa III, Peroviseu - Belmonte.
12 de Janeiro de 2013
Às 6 da manhã estava frio, bastante frio, um nevoeiro
cerrado abatia-se sobre a cidade albicastrense. Os caminhantes apresentaram-se
quase todos de gorro na cabeça e luvas para as mãos não arreganharem. Após os
beijinhos e abraços da praxe, e dos bons dias esfumaçados, a comitiva partiu
rumo ao Largo da Igreja de Peroviseu, concelho do Fundão, via A23.
Excepcionalmente, desta vez utilizou-se a autoestrada. Mas ela que não se aveze
porque a vida não está para luxos destes. O nevoeiro limpou por alturas da
Soalheira (tinha de ser na Soalheira, claro), o que deixou agradados os caminhantes,
porque caminhar com visibilidade de 20 metros já bastara o início da etapa II
entre Louriçal e Peroviseu. É extremamente frustrante subir e descer a Gardunha
sem poder apreciar as fabulosas vistas que lá de cima se oferecem aos olhos.
Faltariam 14 minutos e meio para o nascer do sol do Borda
d’Água, quando os 15 magníficos se fizeram ao caminho, com vontade firme de
atacar a serra que separa as localidades de Peroviseu no concelho do Fundão e
do Ferro no concelho da Covilhã, denominada ela do Meal Redondo. Antes porém,
no meio do burburinho dos preparativos, destacava-se o ar concentrado do Xquim
Branco a fazer os registos no caderno de bordo e a carregar no GPS o percurso
que resultou dos seus aturados estudos sobre o troço local do caminho interior.
A meio da subida, já se notava a respiração ofegante dos
mais pesados. E dos outros também. As breves paragens para descanso tinham um
bónus: a leste, numa nesga do horizonte livre de nuvens, desenhava-se Xálima, o
ponto mais alto da Sierra de Gata, enquadrado num fantástico cenário em tons de
amarelo e laranja. Houve quem tivesse registado digitalmente o espetáculo.
O percurso até Peraboa decorreu sereno por entre grandes
vinhedos bem tratados, pomares de cerejeiras e pastos. De quando em vez,
abatia-se sobre nós uma breve rajada de chuva miudinha, nada que nos tolhesse o
passo.
Às 10 da manhã já estávamos a entrar na aldeia e, claro, a segunda
edição da bucha. Houve quem, do chamado sexo fraco, por sinal, se pusesse
bravamente a beber vinho do Porto.
Virada a sul, a mansão goza de vistas fabulosas: são
visíveis os recortes da Gardunha e do Açor como que ajoelhados à imponência do
maciço da Estrela ali logo ao lado; para leste vislumbram-se o penhasco de
Sortelha e as serranias da Opa e da Malcata; lá em baixo, o irregular puzzle
dos campos cultivados da Cova da Beira.
O caminho da Chandeirinha havia de nos
levar até Belmonte, tendo ficado por dar uma saltada ao castro com o mesmo nome,
desmotivada pela completa falta de informação, e ainda com passagem ao lado do
Convento de Belmonte que também é Pousada.
No final, já em Belmonte, ali mesmo junto à Igreja-museu de
Santiago (onde mais poderia ser?), o Xquim Branco informou que a etapa fora
cumprida de acordo com o plano e comprida em 30 quilómetros e 600 metros. E
disse mais, com ar orgulhoso: “e o percurso que fizemos foi exactamente o que
tinha sido programado aqui no meu GPS”. Toda a gente lhe bateu palmas, dois
aplicaram-lhe um calduço cada um. Ele merecia os mimos!
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Sketches 2012
No texto de abertura anunciava-se que este blogue iria ter e cito "uma novidade distintiva, com esboços (sketches, para quem não está à vontade no português)." Fim de citação.
E, como o que é prometido é devido, aqui fica uma selecção de Sketches (desenhos, para quem não está à vontade no linguarejar de sua magestade :-)
A música é também de um andarilho:
Jorge Palma; (enquanto houver estrada para andar) A gente vai continuar. E vai mesmo
Confraria dos caminhos 2012 from carlosazvmatos on Vimeo.
A música é também de um andarilho:
Jorge Palma; (enquanto houver estrada para andar) A gente vai continuar. E vai mesmo
Confraria dos caminhos 2012 from carlosazvmatos on Vimeo.
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