sexta-feira, 9 de agosto de 2024
CAMINHO FRANCÊS (2) - DO CAMINHO
Projecto (em curso): Caminho Francês, Fase 2.
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
INSTANTÂNEOS - XXV
Já nos tinha acontecido em 2020, Caminho da Costa, à entrada em Vila do Conde. Caminhavam os peregrinos tranquilos mas determinados, quando, abruptamente, uma viatura da GNR se nos atravessou. De lá saiu um agente de autoridade, alto, porte atlético, que se nos dirigiu com ar decidido. A instintiva primeira reacção de apreensão foi rapidamente desvanecida. Era apenas o nosso sargento Humberto a apresentar-se e a oferecer os seus préstimos (aqui).
Desta vez, foi em Villalcázer de Sirga (Palência) que esbarrámos com uma viatura da Guardia Civil estrategicamente posicionada perto da esplanada onde os peregrinos faziam a chamada paragem técnica. A sua nobre função, informaram os dois agentes, era a de assistência ao peregrino, em dedicação exclusiva, estando preparados até com carimbo.
Não há muitos registos, felizmente, de casos de insegurança no Caminho. Em geral, o peregrino sente-se seguro. Mas fica sempre mais confortável se sentir que as forças da segurança velam por si.
Villalcázer de Sirga, 29/05/2024
quinta-feira, 25 de julho de 2024
CAMINHO FRANCÊS (2) - DUAS OU TRÊS NOTAS SOBRE CULTURA E HISTÓRIA
Projecto (em curso): Caminho Francês, Fase 2.
Início: Burgos
Término: León
Etapas: 8
Partida: 26 de maio de 2024
Chegada: 02 de junho de 2024
Distância total: 180 km
Acumulado Caminho Francês: 480 km
Aníbal Azevedo, Anselmo Cunha, Conceição Pires, Elsa Maia, Fernando Micaelo, Gena Cabaço, Jaime Matos, Joaquim Branco, Manuela Gomes, Nulita Lourenço, Paula Marques, Raul Maia, Teresa Silva.
1. Desde a "noche" até à procissão
Estes
humildemente audazes caminheiros têm razões para se sentirem afortunados, reconhece-se, quando,
por absoluta coincidência, são apanhados no meio das festas/manifestações
culturais locais, precisamente quando estão a passar ou a pernoitar.
Foi assim lá atrás, em Trancoso, Moimenta, Guimarães, Santiago (histórias antigas no blogue).
Assim foi no ano passado, em Pamplona e em Viana (aqui).
Foi assim, este ano, à entrada e à chegada nesta segunda jornada do projecto Caminho Francês.
À
entrada, em Burgos, apanhámos com a “noche blanca” no único dia em que ela se
realizou - chamemos-lhe manifestação cultural, só para facilitar (aqui).
À semelhança da
primeira fase do projecto Caminho Francês, nas regiões de Navarra, La Rioja e de Castela
até Burgos, também nas províncias de Palência e León o património histórico e
cultural é riquíssimo.
É
logo na segunda etapa que o Caminho impõe ao peregrino o Convento de San Antón,
a escassos 2 km de Castrojeriz. Foi o mesmo instalado pela ordem homónima, ou também, Orden de
los Hermanos Hospitalários de San António e tinha como principal propósito
acolher e ajudar os peregrinos a caminho de Santiago. A sua origem remonta 1095, logo, nada a ver com o “nosso” Santo António. A partir das suas
ruínas ainda é fácil a percepção da sua monumentalidade e da importância que
deverá ter tido, no seu auge.
A paragem seguinte, Frómista,
uma pequena localidade de menos de 900 habitantes, apresenta 3 igrejas
monumentais, entre as quais San Martin, séc. XI, expoente do românico espanhol,
3 naves, colunas com iconografia rica e abundante.
Sahagún, justifica a
referência por 2 motivos, para além do seu rico acervo patrimonial: O primeiro
é que marca o meio do Caminho Francês. O peregrino que saiu de St Jean Pied de
Port fica a saber que, aqui chegado, terá de calcorrear outros tantos quilómetros
para chegar ao Obradoiro. O segundo aspecto a relevar é que Sahagún desempenhou
importância maior no reino de Leão, sobretudo no reinado de Afonso VI, pai de
D. Teresa, avô do nosso Afonso Henriques. É no mosteiro de Sahagún, aliás, que ele jaz
sepultado, assim como as suas duas mulheres (oficiais).
À
chegada, em León, foi-nos oferecido o privilégio de acompanhar a procissão de
Corpus Christi quando percorria a rua que desembocava na grande praça em frente
à majestosa catedral. Manifestamente sortudos, convergimos com a procissão na
hora precisa. Chegássemos nós meia hora antes ou meia hora depois e, teríamos
falhado o evento.
O cenário que se nos deparou é digno de registo e referência. Uma
imensidão de gente postava-se ao longo da artéria, mirando o cortejo composto
pelas mais diversas figuras – homens, mulheres, crianças - rica e diversamente
trajadas com indumentária medieval e religiosa. A banda filarmónica – excelente som - incluía dezenas de
músicos e instrumentos muito variados.
Um
dos elementos mais marcantes da procissão eram os enormes andores – em número
não contabilizado -, cada um deles suportados por vinte e quatro leoneses que
se movimentavam sincronizados, denotando algum treino de ordem unida. O cortejo
evoluía lentamente, sob a batuta de um grupo de mordomos, claramente
experimentados no ritual. A cerimónia terminou com todos os participantes –
muitas centenas – disciplinada e organizadamente alinhados em frente à porta
principal da catedral, que terão dispersado após o hino de Espanha.
2. Rivalidades provincianas
Uma
segunda nota para fazer referência a um facto menos relevante do ponto de vista
cultural, mas com alguns pontos de contacto com a história desta região de
Castilla y León.
São
bastas as placas azuis que ostentam a indicação que o Caminho está a cruzar a
região autonómica de Castilla y León.O que chamou a atenção foi o facto de em
muitas delas, um dos nomes estar riscado: León no território da província de
Burgos, Castilla no território da província de León, mais frequente no segundo
caso.
Contudo, a partir dessa unificação, ambas as regiões partilham um percurso comum, decisivo mesmo para a unificação da própria Espanha e para a sua actual configuração.
Resulta algo surpreendente, pois, que num quadro histórico e cultural cimentado em tantos séculos de percurso comum, ainda haja alguém com um espírito identitário regional forte o bastante para se dar ao trabalho de andar a riscar um dos nomes nas placas. A curta investigação feita não traz nenhum elemento válido explicativo de tal fenómeno, a não ser a de que haverá um movimento de leoneses que alimentarão a ideia de uma separação administrativa – e deverá ser apenas administrativa – de Castela, presumivelmente, por referência ao reino de Leão medieval, incluindo as províncias de Zamora e Salamanca.
3. Oportunismos
A terceira nota vai para denunciar esse quase generalizado fenómeno de cobrança de entrada nas catedrais, igrejas e noutros edifícios de relevante interesse patrimonial, cultural e histórico. O Caminho, está anunciado, apresenta uma riqueza ímpar nessas dimensões. É deveras agradável ter a oportunidade de apreciar a monumentalidade dos edifícios e a diversidade artística, iconográfica e histórica do interior de todas eles, bastas vezes em povoados de pequena dimensão. Haveria muito que aprender, com tempo, e, sobretudo, com cicerone que apontasse e realçasse os pormenores.
1
quarta-feira, 17 de julho de 2024
CAMINHO FRANCÊS (2) - QUATRO NOTAS DE REPORTAGEM
Projecto
(em curso): Caminho Francês, Fase 2.
Início:
Burgos
Término:
León
Etapas:
8
Partida:
26 de maio de 2024
Chegada:
02 de junho de 2024
Distância
total: 180 km
Acumulado
Caminho Francês: 480 km
Aníbal Azevedo, Anselmo
Cunha, Conceição Pires, Elsa Maia, Fernando Micaelo, Gena Cabaço, Jaime Matos,
Joaquim Branco, Manuela Gomes, Nulita Lourenço, Paula Marques, Raul Maia,
Teresa Silva.
1. Quatro notas de reportagem
2.
Duas ou três notas sobre cultura e história
3.
Do Caminho Francês (fase2)
1.
Nota
negativa
Em
Burgos, todos os anos, num dos sábados da primeira quinzena de maio, o
Ayuntamiento promove a “Noche Blanca”. Uma vez, um dia por ano.
2.
En este pueblo
no sobran niños
À
entrada de Rabé de Las Calzadas um grande cartaz avisava: “en este pueblo no sóbran
niños”. Ainda que a chamada de atenção se destinasse a apelar aos cuidados a
ter pelos senhores condutores, a frase reflete, também, uma outra dimensão
significante. Em Espanha, observa-se o mesmo fenómeno que no nosso retângulo a
oeste plantado, no que toca à ocupação do território. Também aí se verificam
profundas assimetrias regionais, também aí existem dois países: uma Espanha
concentrada, grosso modo, na orla litoral e à volta de Madrid, e a outra,
imensa, em continuado processo de abandono e despovoamento. Os sociólogos do
território já lhe atribuíram uma designação: “España vaciada”. As similitudes entre
esta “España vaciada” e o nosso interior (cerca de um terço do território
português), são evidentes, nas causas e nos efeitos.
Em 2021, por lá, surgiu mesmo um partido com esse nome – España vaciada[1] -, assumindo como ideais centrais a defesa da ruralidade, o desenvolvimento sustentável das áreas rurais e o combate ao despovoamento do interior de Espanha. Concorrente às eleições municipais de 2021, não obteve um resultado significativo. Regista-se com simpatia, porém, a iniciativa e a coragem.
Se surgir algo semelhante em Portugal…
3.
Três vezes
abençoados
Independentemente dos motivos que impelem cada um a partir para o Caminho, qualquer peregrino se sentirá um pouco reconfortado se for abençoado por isso. Nesta nossa segunda jornada do Caminho Francês, foram estes peregrinos abençoados por três vezes.
4. As catacumbas de Castrojeriz
O
Hospitaleiro José, proprietário do Albergue Ultreya é uma figura peculiar, na
personalidade afável, na disponibilidade, mas sobretudo na forma de se
exprimir, provavelmente, por influência da sua profissão de professor que foi
durante toda a sua vida ativa, agora aposentado. Ensinava matemática mas,
também tinha uma notória veia de historiador e de etnólogo, comprovada pela
paixão com que discorria sobre a história local.
sexta-feira, 24 de maio de 2024
sexta-feira, 5 de abril de 2024
Caminho Francês I - Fernando Micaelo
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