Projecto (em curso): Caminho Francês, Fase 2.
Início: Burgos
Término: León
Etapas: 8
Partida: 26 de maio de 2024
Chegada: 02 de junho de 2024
Distância total: 180 km
Acumulado Caminho Francês: 480 km
Aníbal Azevedo, Anselmo Cunha, Conceição Pires, Elsa Maia, Fernando Micaelo, Gena Cabaço, Jaime Matos, Joaquim Branco, Manuela Gomes, Nulita Lourenço, Paula Marques, Raul Maia, Teresa Silva.
1. Quatro notas de reportagem
2. Duas ou três notas sobre cultura e história
3. Do Caminho Francês (2)
Convenhamos,
do ponto de vista paisagístico, este troço do Caminho Francês é capaz de ser um pouco menos interessante do que todos os outros que já percorremos (e já foram alguns). O planalto
castelhano-leonês caracteriza-se por uma orografia pouco pronunciada, a
ocupação do solo não é muito diversa, a floresta escasseia. O que o peregrino
encontra na maior parte do percurso são campos ondulados a perder de vista, cobertos por um mosaico de searas com cereais vários: trigo, aveia, alfafa, ervilhaca, fenacho, colza, em
diferentes estados fenológicos do seu desenvolvimento vegetativo. A cor dominante nesta altura do ano (maio) é o verde em diversas tonalidades. A densidade de plantas é
elevada, como elevada deverá ser a sua produtividade. Tem de estranhar o
peregrino luso beirão, todavia, não ver uma árvore de fruta, uma hortinha, uma
couvinha que seja. Tão perto e tão diferente da paisagem a que estamos
habituados.
A
paisagem é, pois, bonita, sim, mas algo monótona, comparada com todas as outras
que já tivemos oportunidade de apreciar. O nível de dificuldade, em
consonância, também é baixo. Exceptua-se, porventura, a subida ao monte imediatamente
a seguir a Castrojeriz, passado o rio Odra.
Mas
o Caminho não é só paisagem. Também é tudo o resto, e neste resto imenso, está incluído
o contacto com outros peregrinos.
Neste
particular importa destacar alguns dos que connosco caminharam e confraternizaram,
ainda que por breves minutos: o peregrino proveniente de Hong Kong, bem
disposto e sempre sorridente como é apanágio, a (relativamente) pesada
irlandesa que nos cantou “the fields of Athenry” - algo desafinada mas bem
intencionada -, o luso catalão cheio de vontade de cumprir todo o caminho
francês em menos de 30 dias, a jovem italiana inicialmente carrancuda e fechada
mas que afinal só precisava de fumar um cigarro de enrolar especial para se
libertar, a enfermeira italiana, o romeno, os americanos e, claro, os compatriotas lusos que também por lá rompiam sandálias.
O
maior destaque, todavia, deve ir para o privilégio de termos conhecido uma
sumidade da literatura mundial.
Foi
no albergue de Castrojeriz que reparámos numa figura esguia embrenhada na
leitura de um livro. Mais tarde havia de partilhar connosco o jantar e a visita
às "catacumbas" no
subterrâneo. A conversa fluiu, inevitavelmente, para a literatura e para
ficarmos a saber que estávamos perante o escritor Brad Thomas Batten,
canadiano. Desde os 18 anos que a sua vida é a escrita, tendo publicado o
primeiro livro aos 20. Aficionado do Caminho de Santiago, já vai no décimo
caminho francês desde 1989. Nessas viagens foi recolhendo informação e inspiração para um
dos seus mais bem sucedidos livros: “Pilgrim – a novel”, (FriesenPress, 2022, ainda sem edição portuguesa disponível). No
prelo, tem novas novelas com peregrinos como protagonistas.
Nada custa, no
próximo livro, o enredo inclui um grupo de portugueses bem dispostos, numa aventura qualquer
nas galerias subterrâneas de Castrojeriz.

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