As ruas do pequeno Pueblo estavam
pejadas de bosta de vaca obrigando os peregrinos a cuidar onde pisavam e a
inspirar um ar carregado de notas ácidas e amoniacais, características do
esterco fresco.
A velhinha galega, pequena estatura,
seca de carnes, face rugosa, pele ressecada, tudo indícios de uma vida de
trabalho duro, postou-se à porta do barracão onde uma dúzia de vacas ruminavam
a silagem, exibindo dois pequenos chouriços pendurados nos dedos médios.
- Sois españoles?
A nosso lado, estava Nathan, um
bonacheirão americano, denunciado pelo típico boné que escarrapachava
FLORIDA (confessaria ser anti MAGA), polícia reformado que ao longo da última
meia hora nos vinha a contar a história dramática do furacão que destruiu
noventa por cento da pequena ilha do golfo do México onde vivia, incluindo a
sua casa.
Se calhar por isso, a resposta saiu
em “americano”:
- No!
Logo a seguir, a pergunta foi
formulada em galaico-português:
- Quanto custam los chórizos?
Provavelmente, a velhinha galega só
deve ter fixado os elementos que lhe inspiraram a ideia de que estava perante
americanos. É a única explicação para ela ter pedido:
- cinco euros cada uno.
Armado em engraçadinho, o lusitano
atira:
- Hóstia! Muito caros. São de vaca autóctone?
A galega sénior não entendeu. Ainda
que apreciador de produtos tradicionais locais, o preço inflacionado e o aroma
ambiental acabaram a influenciar a decisão do peregrino lusitano que declinou
simpaticamente.

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