Já tinham
batido as doze nas igrejas todas da Galiza há mais de dois quilómetros quando
chegámos ao pequeno Pueblo com pouco mais de uma dúzia de edifícios, dois deles
a exibir a placa de “restaurante” e a publicitar o industrializado “menu de
peregrino”. O primeiro borbulhava de gente com ar de peregrinos, aparentemente
deliciados na degustação do filete de ternera e das batatas fritas, com a mesma
vontade de todos os dias que levavam de Caminho. O segundo, estava vazio,
completamente vazio, passe o pleonasmo vicioso.
Este seria
um sinal imediatamente descodificado por qualquer camionista.
O segundo
sinal foi dado pela galega moça que, perante a oportunidade de rentabilizar o
seu negócio de restauração com 14 refeições, manifestou alguma hesitação e
atrapalhação.
Eis que
fomos encaminhados escadas abaixo para uma sala na cave, onde havia uma mesa
comprida e várias mais pequenas, mas nenhuma preparada para a restauração, como
seria expectável num … restaurante. E vão três sinais.
A sala
empestava ao azedo característico da bosta de vaca, o mesmo cheiro acre que se
vinha sentindo desde que entráramos em terras galegas em o Cebreiro, indicador
de uma região cuja economia muito assenta na bovinicultura.
Imbuídos
do melhor espírito, os lusos peregrinos ainda se puseram a ajudar a atrapalhada
galega empresária da restauração, espalhando toalhas de papel, pratos com
vestígios de pouco uso, talheres desiguais e copos manchados, por onde, à
cautela, passavam um guardanapo.
Tantos
sinais! Faltava um. Aquele que serve de melhor indicador sobre a qualidade de
um restaurante: o estado de limpeza das instalações sanitárias.
Quando a
água começou a transbordar das sanitas entupidas, tanto das damas como dos
valetes, e se encaminhou para a sala, e a atrapalhada galega empresária da
restauração correu a buscar uma esfregona, os peregrinos tugas decidiram que
seria sensato ir degustar o menu de peregrino ao outro restaurante.

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